terça-feira, abril 21, 2009

Eye Candy


Anderson Cooper
(liiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiindo, inteligente, culto, sensível... you gessed it, gay. Mas é giro, não é?)

sexta-feira, abril 17, 2009

Sensibilidade e bom senso


Aqui há muitos anos, um dos meus ex disse-me que era uma pena um cérebro tão bom como o meu estar na minha pessoa. Aparentemente o meu cérebro sofisticado e sensível (nas palavras dele), não combinava com o resto de mim. Qualquer coisa na linha do computador última geração no cockpit de um tractor ucraniano. A única razão porque o dito ex ainda vive e eu não vos estou a escrever estas linhas do meu laptop em casa e não de um dos nossos excelentes estabelecimentos prisionais a meio da minha pena por homicídio é o facto de, na altura, eu ser ainda muito novinha, tinha dezoito aninhos na altura, e, por conseguinte, era menos activista que sou agora. Mas esse foi apenas um dos muitos momentos ao longo da minha vida que cimentaram em mim uma convicção sólida como pedra: os homens não têm sensibilidade nenhuma a lidar com as mulheres, o mesmo se passando com o bom senso.
Como é que os homens chegam a adultos sem uma pinga de sensibilidade é fácil de perceber: na nossa sociedade ela é-lhe sugada impiedosamente desde que são pequenos. Podem vir com tretas new age e moderninhas, mas continua a ser verdade no universo masculino que um homem não chora (muito menos dá gritinhos, balhamedeus) , não tem conversas sobre sentimentos seja com quem for e nunca, mas nunca, por nunca dá parte de fraco frente a uma mulher. Isso vai contra o código masculino. Como é que chegam sem bom senso já é mais difícil. Afinal, eles é que é suposto serem os frios e os racionais, não sobrecarregados com hormonas e emoções como nós, mulheres (yeah, right).
A minha mãe chama-me Nossa Senhora dos Aflitos, porque desde que me lembre tenho um ouvido para as minhas amigas com problemas. É portanto fácil de perceber que, para além das minhas experiências, tenho como termos de comparação as de todas as minhas amigas (e são bastantes). A conclusão é sempre a mesma: sensibilidade e bom senso são bens escassos entre a espécie masculina.
Num caso concreto, por exemplo, o marido de uma amiga pediu-lhe o divórcio num sábado (aos gritos), na segunda estava no advogado a querer vender tudo e ficar com a guarda do filho de ambos. Que sensibilidade é essa, de desapossar completamente a mãe do filho sem qualquer contemplação, sem lhe dar sequer tempo para lidar com o golpe inesperado? Mas para além deste caso extremo, as provas da falta de sensibilidade masculina acumulam-se: é a agressão com o peso e a falta de juventude, a falta de solidariedade na gestão de tempo com filhos e tarefas domésticas, a maneira sumária com que nos descartam, a quererem-se ver livres de nós como se fossemos um carro usado.
Como disse no texto anterior, não sabem lidar connosco. Talvez por causa da maneira como o cérebro deles está artilhado, talvez pela cultura masculina que lhes exige serem frios e racionais, mas era de esperar que conseguissem lidar connosco melhor. Com mais não sei se compaixão, se sensibilidade se quê. Talvez devessem ver ou ler algumas das nossas referências culturais, como o livro da Jane Austen que dá título ao texto. Não sei, pode ser que os ajudasse, e a nós também, por arrastamento.

segunda-feira, abril 06, 2009

sábado, abril 04, 2009

O efeito Rebecca


Quando li o Rebecca pela primeira vez, pareceu-me um livro terrivelmente romântico. O herói nobre, a heroína sofredora e inocente, a ex malévola, todos os ingredientes ideais para um romance cor-de-rosa que alimentasse os sonhos de uma adolescente impressionável, que não sabia nada da vida. Em releituras posteriores fui mudando de ideias, agora já só o acho um romance terrivelmente terrível. A primeira leitura, feita por uma moralidade a preto-e-branco deu lugar a segundas e terceiras em que as personagens foram ganhando novas complexidades, mais profundidade, de modo que os arquétipos tão bem cortados das personagens deixaram de ter os contornos assim tão certos e imediatos. Porque havia o herói de ser automaticamente nobre, ou a heroína inocente, ou a ex malévola? Aliás, porque razão é eu todas as ex hão-de ser malévolas ? Que raio motiva as pessoas a tornar as ex as bruxas da maçã da Branca de Neve?
É notória a má fama que as ex têm na literatura, a começar logo pela maluquinha do sótão da Jane Eyre, mas a Rebecca serve como arquétipo porque aquilo que no passado era apenas oponente, uma espécie e barreira amorfa, ou uma criatura a lamentar, porque não do juízo todo, é aqui uma vilã completa sem qualquer tipo de qualidade redentora, manipulando o feliz casal até depois da morte. O que, considerando todas as coisas é bastante injusto, ou não?
Para Rebecca ser um livro escrito por uma mulher, poderia ter sido um pouco mais bondoso com as personagens femininas. A protagonista não tem nome até ganhar o do marido, não tem opiniões a não ser as dele, não existe sem ele. A governanta solteirona não poderia pingar mais estereótipos sobre solteironas se o quisesse, sendo amarga, ressentida, fanática. Só uma leitura mais perversa do inteligente Hitchcock lhe colocou um subtexto de homoerotismo e lhe deu um pouco de interesse. A irmã do protagonista é uma espécie de sopeira com título, mostrando aquilo que seria o arquétipo da mulher perfeita: calma, desarranjada, assexuada. Mas Rebecca, bem, Rebecca é a que é pior tratada, não havendo defeito a que não escape: pérfida, materialista, amoral, venal, emocionalmente impotente, cruel, de uma sexualidade refinada, aberta e, sobretudo, livre. É uma desgraça à espera de acontecer, caindo em cima do pobre Max deWinter como uma praga de gafanhotos, deixando só os ramos nus e frágeis da sua estrutura emocional. Ou pelo menos esta é a versão que nos contam, que nos querem fazer acreditar. A questão é o porquê, porquê este overkill? Haveria necessidade de um retrato a cores tão negras? Porquê?
Rebecca revela, e com muita clareza, as nossas neuroses face às ex, e por nossas não falo só das dos homens, das das mulheres também. Que os homens sejam neuróticos é natural, afinal não sabem lidar connosco. Reagem quase sempre como não devem, não conseguem acabar relações com a diplomacia ou a sensibilidade que deus deu a uma osga e sentem-se indignados quando despertam a nossa fúria. O que lhes dá a desculpa perfeita para pintar as ex como vilãs e sentirem-se melhores consigo mesmos. Vêm, é fácil de ver e perceber as suas motivações, é até lógico, previsível e mensurável. Já nós é uma questão completamente diferente. É que vocês vêm, não é só uma mulher de cada vez que os homens não entendem, eles entendem-nos ainda menos em grupo. Não percebem as complexidades das nossas interacções, das intrincadas teias de pesos e influências que estabelecemos.
A mulher média é insegura, certo? Certo. Então imaginem o cenário. O actual namorado deixou para trás uma ex que não compreendeu e com quem não soube lidar, sentindo-se injustiçado. É lógico que vai logo contar à actual que a anterior não prestava , porque, benza-os deus, precisam todos de colinho. Pode dizer pouco, pode dizer muito, mas o que quer que diga vai ser sempre pouco. É verdade que vai validar a existência da actual, que em comparação ao negro da ex ganha aos pontos, mais boazinha, mais compreensiva etc. etc. Mas, e isto é que o nosso homem não percebe, é que as mulheres, a esmagadora maioria das mulheres são inseguras, por isso a sensação de superioridade não vai durar muito. Se a actual é mais nova, inveja na outra a experiência, a sofisticação, se é mais velha, inveja na outra a juventude. A outra acaba por ter sempre o direito de precedência, e se por acaso tem filhos do actual, tem um lugar inalienável e há-de ser uma ameaça a minar a segurança da actual, mesmo que já tenham passado vinte anos. E esta complexidade há-de sempre escapar ao homem médio, que cairá na mesma armadilha uma e outra e outra vez e dar por si com uma colecção de ex que se odeiam mutuamente e o odeiam igualmente e só se uniriam em alguma circunstância na vida se essa incluísse comer-lhe o fígado. E aí seriam todas igualmente calmas, boazinhas e compreensivas.
A mim, para dizer verdade, todo este efeito Rebecca me cansa e entristece. Não cheguei a esta idade isenta de culpas (graças a deus) ou de defeitos (como se vê pela figura em anexo), mas ser pintada como uma psicótica desequilibrada por um ou outro ex com menos amor à pele sempre me pareceu eminentemente injusto. É que, compreendam, sou uma ex absolutamente exemplar: não melgo, não atrapalho, não escrevo, não telefono (e não posso ser responsabilizada se continuam vir aos meus blogs para se aborrecerem, era escusado, mas é problema deles, e facilmente resolvido). Sou uma senhora. O que significa que nunca estou lá para me defender, ou para desfazer minhocas na cabeça das pós-adolescentes complicadas por quem sou trocada rotineiramente. E apesar do meu coração se encher muitas vezes de compaixão por elas , qualquer aviso, qualquer comentário, por mais solidário seria sempre mal interpretado, dando apenas mais consistência aos rumores de que sou uma cabra psicótica e vingativa que existe exclusivamente para lhes fazer uma vida num inferno. O que me aborrece profundamente, pois não me limito a pregar a solidariedade feminina, pratico-a.
Serial mind-fuckers hão-de existir sempre. Como expliquei cima, às vezes não o fazem sequer de propósito, não conseguem evitar. Mas o efeito Rebecca não é inevitável. Antes de mais, há que pensar que ele origina de falta de autoconfiança e inseguranças. Uma mulher resolvida e segura de quem e como é não se deixa intimidar por ex nenhuma, por mais intimidante que esta possa ser. Depois, se acreditam piamente em todas as pequenas coisas que saem da adorável boquinha do vosso amado, estão a pedi-las. Acreditam piamente que a relação anterior foi um pesadelo do principio ao fim ? Só se esta só tiver durado meia-hora. Os homens são comodistas, se são estão mal mudam-se logo para onde estão melhor. Acreditam que a culpa foi só dela? Então as relações só se vivem a um? Só um é que controla, que determina como é vivida? Bullshit. Sejam espertinhas, sim? E deixem as Rebeccas descansadas nas vidas delas. Afinal, estão mortas, ou não? Vão por mim que eu é que sei. Been there, done that, got the t-shirt to prove it. Mesmo.

sábado, março 21, 2009

A poesia está na rua

Fui à florista buscar um ramo enorme de coroas imperiais amarelas, de gordas gerberas de um vermelho escuro, hastes de verdes de folhas diferentes. Feiote e brilhante, vibrante. A ideia era levá-lo de presente à anfitriã do jantar a que me convidaram, mas apaixonei-me por ele, tão vivo, tão alegre e portanto vão ter de se ajeitar com um vinho ou assim, whatever. Vou saír para aproveitar o dia de sol glorioso e curtir o buzz da indulgência de um ramo de flores de-mim-para-mim. Hoje é o dia da poesia, e ela anda na rua, sabiam?

quinta-feira, março 19, 2009

Momento espiritual pré-caipiroshka



Oração das Mulheres Resolvidas

Que o mar vire cerveja e os homens aperitivo
Que a fonte nunca seque
E que a nossa sogra nunca se chame Esperança, porque Esperança é a última a morrer...
Que os nossos homens nunca morram viúvos
E que os nossos filhos tenham pais ricos e mães boas como oh milho!
Que Deus abençoe os homens bonitos e os feios se tiver tempo...
Deus...
Eu vos peço sabedoria para entender um homem, amor para perdoá-lo e paciência para os seus actos, porque Deus, se eu pedir força, eu bato-lhe até matá-lo
Um brinde...aos que temos, aos que tivemos e aos que teremos
Um brinde também aos namorados que nos conquistaram, aos trouxas que nos perderam e aos sortudos que ainda vão conhecer-nos!
Que sempre sobre, que nunca nos falte, e que a gente dê conta de todos!

Cheers!
(texto vindo da net, mas integralmente subscrito pela gerência deste estaminé)