(o único, o insuperável, o genuino Mr Darcy)
quarta-feira, agosto 09, 2006
terça-feira, agosto 08, 2006
segunda-feira, agosto 07, 2006
Problemas de Expressão
O que se passa agora não poderia estar mais longe dessa utopia de carne de carne. Um homem médio e uma mulher média vivem em mundos tão diferentes que quase se pode dizer com acerto que são de planetas diferentes. Consideremos o exemplo de um homem médio, agora nos seus trintas. Este homem foi um homem quase de certeza educado no firme e claro princípio de que os homens não choram. Jogou à bola, coleccionou cromos e os cartões das pastilhas gorila que tinham aviões, cresceu a não mexer uma palha em casa. Quando chegou à altura começou a ler Ginas, gozou com os colegas mais fraquinhos, afastou-se como das sete pragas do Egipto tudo o que pudesse ser vagamente sensível ou feminino, foi ver os filmes do Swazeneger. Agora vejamos as vivências de uma mulher média da mesma geração: brincou sempre com bonecas, viu a Candy Candy, o Norte e Sul e uma boa dúzia de novelas brasileiras. Fez colecção de folhinhas coloridas, ou de chávenas de café ou de lápis giros. Quando chegou a altura começou a ler a Cosmopolitan ou, noutro segmento, a Maria. Foi ver as comédias românticas do Hugh Grant e chorou, lamechas, os êxitos do Bryan Adams (e quem não sabe a letra do Heaven não merece o ar que respira). Se virmos bem, desde a infância que o mundo das mulheres e o dos homens não se cruza. É um milagre que tenham conseguido falar uns com os outros o suficiente para se conhecerem uns aos outros e desenvolverem relacionamentos. Um verdadeiro milagre.
Há um cartoon muito famoso onde está um casal abraçado e a mulher pensa no coração e o homem na forma de coração... mas de um rabo feminino. É como se para além de sexos diferentes fossem de planetas diferentes. A culpa até nem é só dos homens, se pensarmos nisso. A verdade é que os rapazes e os homens são condicionados para agir e pensar de uma determinada forma e que não é muito fácil para eles. Deve ser muito incómodo para um homem médio passar a vida a avaliar os atributos físicos das mulheres, saltaricar em quantas camas o deixarem e depois raspar-se, trair as namoradas com outras só porque estão à mão. É um sacrifício extremo que eles fazem e quase me causa lágrimas, e tudo em nome da masculinidade que a sociedade lhes impõe... Assim como é incómodo para as mulheres terem de arranjar sobrancelhas, depilação a cera quente e dieta durante toda a santa vida para corresponder aos padrões de beleza... Ironias à parte, deve ser tão duro para eles aprender a reprimir os sentimentos como para nós é conformar-nos com o modelo de feminilidade submissa que tradicionalmente nos compete. Porque, da maneira que as coisas estão, as relações são um campo de minas.
As mulheres são educadas desde pequenas para manifestarem sentimentos e terem empatia para com os sentimentos alheios tanto quanto os homens são para serem corajosos e manterem o sangue frio, para serem protectores e fortes. Os quadros mentais serão por isso sempre diferentes num sexo e no outro, o discurso, a milhas de distância.
Recuso-me a pensar que os homens só pensam em sexo e só agem para conseguir gratificação sexual. Isso seria passar-lhes um atestado de menoridade intelectual, tornando-os uns seres comparativamente menos civilizados que os golfinhos. Alguma coisa sentirão. Como as mulhrese sentem amor, ódio, raiva, ciúme. A chatice é que as mulheres podem falar disso à vontade (e falam, normalmente até à exaustão) e os homens não. Homem que é homem não quer ser jamais apanhado a dizer coisas como: acho que deveriamos repensar o rumo da nossa relação, ou, não gosto quando não falas comigo muito tempo porque me sinto ignorado. Mesmo que o pense. Não lhe fica bem. Por este mesmo motivo têm a relação que têm com os telemóveis. Para eles são objectos práticos e funcionais a ser usados parcimoniosamente. Para as mulheres, extensão da sua pessoa. Ficam perplexos porque a namorada se desfez em lágrimas fungando: "tu despachas-me ao telefone" ou "não te custava nada ligares para dizer que estavas bem". A eles nunca lhes passaria pela cabeça ligar a não ser que tivessem informação específica e vital a transmitir. É uma luta constante.
Assim e neste estado de coisas, ou esperamos que a sociedade mude, tentando, como diz o Leonard Cohen no seu "First We Take Manhattan" mudar o sistema por dentro e morrer de aborrecimento até que dê resultado ou metemos as mãos na massa e tentamos comunicar. Assim, mulheres, não sejam tão tagarelas, homens, por todos os santinhos, falem, liguem, mandem mensagens ou e-mails. Em último caso, como diz o Carlos Tê, usem o inglês. Como diz a música dos Clã? Só pra dizer que te Amo, Nem sempre encontro o melhor termo, Nem sempre escolho o melhor modo. Devia ser como no cinema, A língua inglesa fica sempre bem E nunca atraiçoa ninguém. O teu mundo está tão perto do meu, E o que digo está tão longe, Como o mar está do céu...
sábado, julho 29, 2006
A mulher perfeita
O século XX foi, na perspectiva masculina, nefasto para a felicidade conjugal. Quando antigamente tinham em casa mulheres que limpavam, cozinhavam, criavam os filhos e os recebiam com um martini e um sorriso quando chegavam a casa agora têm uma mulher exigente que quer saber coisas absurdas como : por onde andaste, onde vais gastar esse dinheiro, amas-me, por acaso não andas a ter um caso? Um homem não tem sossego. E pior que isso, não está seguro. As gajas agora como trabalham e ganham o seu próprio dinheiro só têm de pegar nas suas tralhinhas e ir para onde quiserem, não há direito.
Se há alguma coisa que os homens gostam, é o sentimento de superioridade. Nada há que os faça sentir melhor que uns olhinhos de adoração a fitá-los e a exclamar: ah, como és forte/inteligente/grande/corajoso/bem dotado! A sério, gostam mesmo da gratidão nos olhos das mulheres e esperam sempre ouvir coisas no género do sem ti estaria perdida, não sei viver sem ti. Alguma coisa no cérebro deles congelou na época em que caçavam bisontes que os faz desejar ardentemente constantes elogios à sua força e virilidade e constantes agradecimentos pelo fornecimento das proteinas . Até se safaram bem ao longo da história da humanidade.
A sociedade ao longo da história esteve bastante bem para eles, pois que a organizaram. Que melhor maneira de garantir os ditos olhos gratos que não dar alternativas? Uma mulher que, sem um homem, não tem modo de ganhar a vida a não ser vender o corpo certamente vai-se mostrar convenientemente grata. Uma mulher que não aprenda a ler, escrever e contar vai sempre achar que o marido é inteligente. Uma mulher que dependa do marido financeira e socialmente nunca questionará os seus motivos. E porque são eles que escolhem, podem escolher o modelo melhor e mais giro.
A chatice começou no século XX onde as mulheres têm praticamente a mesma liberdade que os homens. Aí é que está o ponto, porque as mulheres passam a querer ser tratadas como iguais. E não estão dispostas a aceitar submeter-se a alguém que considerem inepto, ou a ouvir e calar, como antigamente.
O que as agências matrimoniais russas nos mostram é que o movimento feminista falhou. Claramente, sem rodeios, ficamos a saber que os homens preferem pagar a uma mulher que finja adoração ou gratidão a enfrentar um mundo onde têm de ceder e tratar a companheira como igual. Falhou redondamente. Antes uma bela russa, malaia, brasileira, que não fale a língua e nos siga para todo o lado cegamente do que responder a perguntas difíceis, viver com a chatice de ter de ser mais que o chefe inquestionado. Os homens nunca procuraram mulheres que os questionassem, nunca pretenderam ter "companheiras". Se o pretendessem, historicamente tinham-no feito. Toda a liberdade que cederam às mulheres foi-lhes arrancada à força. Mas se puderem escolher, aí não há dúvida. Antes uma criaturazinha não muito inteligente mas boa como o milho para propagar os genes, sejam eles de um homem feio ou bonito, porque os homens não se querem bonitos. A sério, é triste ver como o movimento feminista falhou redondamente.
terça-feira, julho 18, 2006
Metrossexuais, retossexuais e a condição feminina
Acho que a maioria das mulheres concordaria comigo na afirmação de que os metrossexuais são criaturas irritantes. Uma pessoa está habituada às coisas claras como a água, de um lado estão os homens, do outro as mulheres e os homossexuais, nossos amigos ou não, estão mais ou menos do nosso lado porque partilham basicamente o mesmo nicho de mercado. Se houver rivalidade em relação aos serviços de manicura que seja em relação a outra mulher, é o normal. Em relação ao nosso namorado ou marido é humilhante. Um namorado que perceba mais que a namorada de cremes hidratantes e que lhe dê uma sova de língua por não se arranjar como deve ou que monopolize as horas de casa de banho pondo em causa a nossa feminilidade é das coisas mais deprimentes de que me consigo lembrar. É um sinal certo e seguro de que o fim do mundo está sobre nós.
Felizmente esta trend cultural está a ser ultrapassada e todos esperamos que com o retirar do David Beckham, figura maior do movimento metro, do seu lugar de capitão da selecção inglesa a abominação que os metrossexuais representam se esfume definitivamente. As más notícias é que acabou esta trend apenas para ser substituida por outra: em tida a sua glória, vêm aí os retrossexuais .
Para todas aquelas que andem desatentas, deixem-me traçar o perfil médio de um retrossexual:
- o retrossexual não vai às compras, assume que as meias novas surgem por geração espontânea na gaveta e as camisas novas no roupeiro, em vez de se tratar da acção de mães ou namoradas compassivas e sofredoras;
- O guarda-roupa de um retrossexual tem calças, camisas, t-shirts e camisolas. Peças como corsários, sandálias abertas, fitas para o cabelo ou jóias não devem nunca ser associadas na mesma frase que se refira a eles.
-o retrossexual não tem corte, vai ao barbeiro e ele passa a máquina;
- há duas coisas essênciais para o retrossexual tomar banho: toalha e sabonete; no seu entender tudo o que vem dentro de um boião é um sinal do inferno;
-a alimentação do retrossexual inclui grandes quantidades de carne vermelha e cerveja, que são comidas masculinas, e nenhum iogurte, legume ou água, sinais inegáveis de falta de virilidade de quem os consome;
- o retrossexual não bebe bebidas maricas, nada de Vodkas-Limão ou Caipirinhas. O retrossexual tem duas bebidas à escolha, tal como os seus heróis: whisky, tal como o John Wayne e Martini (saken, not stirred), como o James Bond;
- O estilo de vida dos retrossexuais parte de uma frase simples:homens são homens, mulherers são mulheres, e não se misturam em mais nenhuma forma que aquelas que a bíblia prevê.
Se, sagazmente me disserem, que não há diferença nenhuma entre estes retrossexuais e os machistas de sempre têm toda a razão, tanto mudaram que voltaram ao que já eram.
A diferença entre estes retrossexuais e os homens antes desta modernice toda é que antigamente ainda se sentiam culpados. Um homem tentava não dar arrotos, andar com as camisas desbotadas, mostrar a barriga, ser machista em público. Tinha vergonha, parecia mal. Sabia perfeitamente que podia, e devia, melhorar-se a si próprio. Depois, exageraram tanto com os retrossexuais que eles acham seu dever moral ser tão desleixados, machistas e grosseiros quanto o seu coraçãozinho carregado de testosterona desejar. Afinal estão apenas a expressar a sua individualidade.Foi andar de cavalo para burro. Só mesmo o género masculino para inventar duas correntes culturais opostas e mesmo assim nenhuma delas melhorar em nada a nossa auto-estima e a nossa valorização.
Histórias de Fadas para Meninas Más
Nunca subestimes o poder de um makeover, disse a fada madrinha à Cinderela, és a mesma pessoa mas os homens não ligam aos pormenores...
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