Porque não há para as crises existencialistas banda sonora melhor que o melhor metal sinfónico escandinavo, deixo-vos a música preferida do meu grupo do momento. Epica para repensar caminhos. Não, não neguem uma ciência que desconhecem à partida. Ponham o som no máximo e curtam. A não ser que estejam no trabalho, pelo que se calhar é melhor ideia esperar até chegar a casa...
terça-feira, setembro 22, 2009
sexta-feira, setembro 18, 2009
De famílias, tidas e achadas
Contavam-me há dias histórias dos encontros perfeitos, dos cenários perfeitos de sedução: a música ideal, o filme ideal, o restaurante ideal, aquela sequência de coisas que normalmente fazemos nas primeiras fases, entre a expectativa e o terror abjecto, da sedução. Dei cromos pra a troca. Tempos houve em que as referências certas, as ideias certas, a música x ou o filme y faziam um clique imediato de intimidade partilhada. Tempos houve em que tinha botões desses, e que funcionavam.Somos condicionadas para a sedução de uma forma quase pavloviana. Os lugares-comuns do romance por alguma coisa são lugares-comuns.O ponto está em perceber quais os nossos botões que funcionam connosco. E guardá-los bem guardadinhos.
A sedução, o encantamento são muitas vezes coisas efémeras, muito difíceis de destrinçar da realidade, esses bocados de sonho. Precisamos de perspectiva, e essa perspectiva é a família que dá.
A família é a antítese da sedução. A família sabe todos os nossos botões, às vezes os bons, de nos encherem a alma de canja e simpatia, às vezes os maus, de nos irritarem. São, se quiserem, o controlo numa experiência, permanecem inalterados, para o bem e para o mal. Na família não há cenários perfeitos, amam-nos com a mesma frequência com que nos irritam, envergonham, enfurecem, enternecem. Chamam-nos à terra, mesmo em circunstâncias onde não são tidos, nem achados.
Cheguei à conclusão, nos últimos tempos, que o que vale ter na vida é a nossa família, da tida e da achada, dos que são nossos porque nascemos naquela família, dos que passaram a ser nossos porque lhes abrimos a amizade e o coração. Que nos aturam as cabrices, as birras e infantilidades, que nos dão cabrices, birras e infantilidades a aturar, que ficam porque são família. O resto,bom, são cenários e botões, encantadores, interessantes. Mas não são a verdade.
quinta-feira, setembro 17, 2009
segunda-feira, setembro 07, 2009
Do relativismo moral

Foi a conversa parar, na sexta-feira, casualmente ao tema da traição. Como este é um tema sob o qual tenho ideias firmes (na verdade tenho ideias firmes para quase tudo, é um vício meu), disse logo que era uma coisa com a qual não concordava nada; se já não se ama, resolve-se a relação antes de começar uma nova. Claro que parecia que tinha ali caído uma bomba, tal foi o espanto do resto dos comensais. Aparentemente, e na sua óptica, o assunto está cheio de gradações.
Se bem que costumo encontrar e tentar perceber diversas gradações da realidade, neste assunto confesso que não as encontro. Seja qual for a razão que me apresentem para a traição, continuo a achar moralmente errado envolver-se (física ou emocionalmente) com alguém já numa relação séria, e para isto ter ou não ter o papel e a aliança é completamente irrelevante. Até porque acho isso uma treta: quem frequentar um chat qualquer na net percebe que, pobres coitadois, o mundo está cheio de casados com mulheres que não os compreendem. Qual é a probabilidade estatística disso? Calculo que as mulheres digam a mesma coisa, que isto de gravidade no comportamento, tal são uns como outras, não há diferença nenhuma.
Tive uma educação católica e conservadora, tipicamente pequeno-burguesa. Fui educada com uma data de tabus, uns que questionei, outros que não. Este, confesso, é um dos que não consigo ultrapassar. Será tacanho da minha parte não aceitar que a coisa possa simplesmente "acontecer"? Será tacanho não aceitar esse relativismo moral que permite às pessoas fazerem aquilo que querem? Porque em análise última as pessoas fazem o que querem. Tirando imponderáveis sob os quais não temos qualquer tipo de controlo, acredito que a escolha é sempre nossa: estamos onde queremos e com quem queremos, nada, nenhum impedimento ou tabu consegue impedir-nos de fazer o que queremos. Se temos esse poder, podemos também escolher o que não queremos, dizer muito obrigada, mas não e amigos na mesma. Temos sempre um momento em que permitimos ou não que a coisa "aconteça", é essa escolha que nos torna adultos responsáveis em vez de garotos inconsequentes.
Como contei já era a única num grupo bastante heterogéneo de sensibilidades e formações a pensar assim. Não cheguei a decidir se o facto de pensar assim e não como eles faz de mim iluminada ou extraordinariamente obtusa, ou simplesmente se isso faz de mim uma idealista ternurenta sem ideia nenhuma do que é a vida real. Se querem que lhes diga, não interessa, num mundo de relativismo moral onde cada um traça os seus limites este é um dos meus. E conhecendo-me como me conheço, lamento, mas não me parece que vá mudar nunca.
terça-feira, setembro 01, 2009
Se os conselhos valessem de alguma coisa...
... não se davam, vendiam-se. Isto pensei eu no fim-de-semana ao tentar aconselhar a L. E aconselhava-a porque, tal como muitas de nós estiveram, estão e estarão, que a vida é assim mesmo, mal de amores. Os sintomas são os habituais: que gosto de ti mas não estou preparado para uma relação, que vamos ser amigos e logo se vê porque não te quero magoar, que és especial mas apaixonado nem por isso, que não és exactamente o meu tipo mas enfim... Ou seja, no grande banquete da vida, que é o amor, somos equiparadas a um pacote de batatas fritas gordurosas que servem para matar a fome momentânea e estão à mão mas não servem, balhamedeus, para refeição completa. Toda a gente sabe que estas criaturas do mal de amores nunca fazem bem a ninguém. Se não gostam o suficiente, nunca gostarão, e tal como as ditas batatas fritas somos consumidas porque estamos á mão, mas até com um certo asco porque não somos, e nunca, mas nunca, nunca, nunca seremos, o caviar que acham que merecem. É insultuoso e acaba-nos com a auto estima ; voltando às batatas fritas (e quem havia de dizer que um snack carregado de calorias e colesterol dava uma metáfora tão versátil), se nos tratam como uma coisa reles e sem valor, mas à mão, nós próprias acabaremos por nos sentir assim. É uma profecia das auto cumpridas: se quem amamos acha que não valemos o suficiente nós achamo-lo também, esperando sempre ser (mal) tratadas da mesma forma por todos os homens que nos passam pela vida. E isto acaba mesmo por acontecer. Mais que isso, é muito fácil passar anos e anos segura a um homem destes, porque pois realmente é a cenoura perfeita para as burrinhas de serviço: não ama agora mas pode vir a amar, e é sempre um dia destes até percebermos, anos e ralações mais tarde que pois realmente não, nunca seremos nada mais que bordões convenientes para os egos frágeis destes homens cobardes. Ou até levarmos um belo chuto no rabo porque bem, o caviar chegou.
Os conselhos tão amigos que dei, frutos do saber emanado da experiência ,caíram, como está bom de ver, em saco roto. Mas isso já eu estava mais ou menos à espera, ou julgam que já nasci esperta? Pois não. Antes de me cair a ficha que estava a ser, como dizê-lo de forma elegante, estúpida como uma maçaneta de porta, também as minhas amigas a quem tinha acontecido o mesmo ficaram carecas de me avisar, mas eu dei ouvidos, dei? É que nem pensar...
É engraçado, temos os sentidos apurados para evitar o que faz mal, ou a dor. Não precisamos de nos cortar para saber que um corte dói, ou de comer sabão para saber que não sabe bem. Mesmo sem a experiência directa conseguimos evitar o perigo. No amor isto nunca acontece: ficamos cegos, surdos e estúpidos, esquecemos ou ignoramos os conselhos e saltamos alegremente para a frente do comboio de mercadorias em alta velocidade. Vai doer, à pois vai, mas é inevitável.
De modo que, leitoras, mais me valia ter poupado o fôlego e ir ver o Giannechini nos anúncios da TMN, em amor os conselhos não se dão. Porque se servissem para alguma coisa, e fossem a pagar, a vossa yours truly, com três anos e tal de blog, era uma excêntrica estrelicada ao sol nas ilhas das Caraíbas e não uma desgraçada funcionária pública no primeiro dia depois das férias. É que estava milionária...
sexta-feira, agosto 07, 2009
Monstros & Companhia

Só quando dei por mim a ver uma coisa, pela madrugada fora, chamada beauty and the geek é que me apercebi o quão diferentes são as mensagens extraídas das histórias de fadas por homens e por mulheres.
Por princípio não tenho objecções às histórias de fadas para crianças, transmitem valores importantes e, no geral, procuram criar uma nova geração pura e nobre (isto se esquecermos o fomentar lamentável do amor pelas tarefas domésticas na Branca de Neve, que obviamente sofria de comportamentos obsessivos - compulsivos, mas seja). Mas as coisas vistas ao pormenor não são bem assim, como é o caso desta bela e monstro.
Não sei bem se a culpa é da história, mas vejam bem se percebem as minhas objecções: uma mulher lê /vê/ouve a história da bela e do monstro e deduz que bom, mesmo as criaturas mais fisicamente repulsivas são dignas de amor; um homem lê/vê/ouve a história da bela e do monstro e deduz que até o homem mais feio tem o direito de ser amado por uma bela. E uma e outra mensagens não são, de todo, equivalentes. Enquanto a primeira é inclusiva, incluindo nas categorias passíveis de se amar não só príncipes mas também sapos e outros monstros avulsos a segunda é exclusiva, excluindo, bom, as feias. O que, diga-se de passagem, é extremamente irritante.
Os problemas dos contos de fadas com as mulheres feias é bastante extenso: as irmãs da gata borralheira têm um tratamento péssimo e as bruxas, no geral são mulheres feias e velhas (dois pecados capitais). Mas nenhum levas as coisas tão longe como esta bela e monstro. A malta compreende um bocado a simbologia primária, tipo o bem é bonito e o mal feio, mas era escusado complicarem as coisas à m alta, escusadinho mesmo. Os homens não precisavam de mais desculpas para serem superficiais no amor e para terem expectativas irrealistas em relação ao tipo de mulheres que vão encontrar.
segunda-feira, agosto 03, 2009
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