quarta-feira, fevereiro 21, 2007
Aforismo IV
sexta-feira, fevereiro 16, 2007
Feministas Eméritas
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
10 coisas para fazer no dia dos namorados
1- Ir ao centro de saúde. Já que temos de passar o dia, que seja junto de todos que, como nós, não têm vida emocional. Como todos os velhotes e velhotas engripados da freguesia.
2- Tratar um dente. Com a anestesia mal reparamos.
3- Fazer a depilação. Nada como uma como uma boa depilação com cera quente à zona do bikini para nos distrair dos nossos problemas.
4- Fazer a declaração di IRS. E aproveitar a raiva de forma construtiva.
5- Amassar pão. Sovar a massa é mais que um prazer, faz mesmo parte da receita.
6- Arrumar o guarda-roupa por esquema de cores. Oh, a felicidade do tédio. Começar pelos pretos.
7- Ir visitar o cemitério- a afluência é muito menor que no dia de todos os santos.
8- Limpar a casa-de-banho. A fundo, e com uma escova de dentes.
9- Polir as pratas e limpar os vidros da casa. Todos, um a um. Duas vezes.
10- Fazer uma cura de sono, e evitar, consequentemente, toda a enjoação que o dia representa. Grrrrrr.
terça-feira, fevereiro 13, 2007
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
A galinhagem da pop
É verdade de o mundo da música sempre foi machista. Por cada diva da pop havia uns vinte ou trinta artistas masculinos mais respeitados e mais famosos. E depois, as divas são aquelas mulheres bonitas e temperamentais a exibir voz e corpinho em cançonetas sentimentais. A influência de artistas femininas ditas "sérias", como uma Janis Joplin ou uma joan Baez acaba por empalidecer face a um Jimmy Hendrix ou um Bob Dylan, respectivamente. Mesmo o hino feminista R-E-S-P-E-C-T soa a uma coisa ligeiramente galinácia, mais reacção instintiva que propriamente um manifesto que exija o tratamento basicamente igualitário. Senão reparem:
"Ooo, your kisses (oo)
Sweeter than honey (oo)
And guess what? (oo)
So is my money (oo)
All I want you to do (oo)
for me
Is give it to me
when you get home (re, re, re ,re) ".
Não me parece que a moça vá sentar o gajo dela e fazer uma escala de divisão de tarefas, pois não?
Durante a minha adolescência, a coisa parecia estar a mudar para melhor. Se havia, por um lado, os Nirvana, do outro tinhamos as Hole, e tão grunge eram uns como as outras. Mas isto era só um fait-divers relativo no cenário da música. Os anos noventa viram nascer e florescer aquilo que é um espécime raro na pop: a cantora séria.
Para conseguirem distinguir as sérias das galinhas começamos logo com um indicador certo e seguro: a necessidade de mostrar ou não o umbigo. E as cantoras dos anos noventa tinham sempre o umbigo convenientemente tapado. Até porque o mais importante não era o umbigo, era a mensagem. E subitamente, havia uma data de mulheres a dizer as coisas que as mulheres não dizem, nem mostram aos homens que amam, que sente. Por exemplo um You Oughta Know da Alanis Morissette:
"Cause the love that you gave that we made wasn't able
To make it enough for you to be open wide, no
And every time you speak her name
Does she know how you told me you'd hold me
Until you died, till you died/But you're still alive"...
Lá que o pensamos, pensamos, mas dizê-lo não é hábito. Afinal não fica bem a uma menina que é abandonada, não é suposto sentir raiva, apenas chorar romanticamente como uma donzela vitoriana o abandono e depois esperar o próximo principe que viesse dar sentido à sua vida. Mas o exemplo não se esgota nisto. Temos também uma Sheryl Crow: Are you strong enough to be my man? ou os meus pessoais preferidos, uma Meredith Brooks:
"I'm a bitch, I'm a lover
I'm a child, I'm a mother
I'm a sinner, I'm a saint
I do not feel ashamed
I'm your hell, I'm your dream
I'm nothing in between
You know you wouldn't want it any other way
So take me as I am
This may mean
You'll have to be a stronger man
Rest assured that
When I start to make you nervous
And I'm going to extremes
Tomorrow I will change
And today won't mean a thing"
Ou a ironia deliciosa de uma Gwen Stefani, ainda nos No Doubt, no I'm Just a Girl:
"Take this pink ribbon off my eyes
I'm exposed And it's no big surprise
Don't you think I know Exactly where I stand
This world is forcing me
To hold your hand
'Cause I'm just a girl,
little 'ol me
Don't let me out of your sight
I'm just a girl, all pretty and petite
So don't let me have any rights
Oh...I've had it up to here
! The moment that I step outside
So many reasons
For me to run and hide
I can't do the little things I hold so dear
'Cause it's all those little things
That I fear "
Se isto não é mulheres com coisas para dizer, não sei o que será. É verdade que havia sempre uma Whitney Huston ou uma Mariah Carey, mas as acima citadas eram respeitadas como artistas sérias, independentemente do sexo a que pertenciam.
Desgraçadamente, o que é bom sempre se acaba. É impressão minha, ou a pop anda cada vez mais galinha que nunca? Em vez de ideias, temos umbigo e pele avulsa. Há algumas ideias atrás da musica da Fergie, dos Black Eyed Peas? É que nem a auto- ironia, fica apenas a descrição que se quer humorística, mas é apenas trágica, da galinhagem que por aí vai. Ora vejam este My Humps:
" I drive these brothers crazy,
I do it on the daily,
They treat me really nicely,
They buy me all these ice-ys.
dolce & Gabbana,
Fendi and then Donna
Caring, they be sharin'
All their money got me wearin' fly
Brother I ain't askin,
They say they love my ass in
Seven Jeans, True Religion,
I say no, but they keep givin'
So I keep on takin'
And no I ain't TAKEN
We can keep on datin'
I keep on demonstrating."
Mas alguém OUVE o que a Beyonce ou a Rhianna têm a dizer? O importante é o agradáveis à vista que são, que de resto bem podem estar a comprar a minha lista de compras.
Até mesmo a Gwen Stefani, outrora a musa de todas as feministas cool se transformou num ser bizarro, com mais look que cérebro. Eu não quero saber se é um icone da moda, e se usa sapatos fabulosos (que usa). Quero saber que de mulher com ideias passou a galinha a cantarolar idiotices como:
"Think what that money could bring
I'd buy everything
Clean out Vivienne Westwood
In my Galliano gown
No, wouldn't just have one hood
A Hollywood mansion if I could
Please book me first class to my fancy house in London town".
Lá se foi a militância.
Agora, se quisermos feministas têm de ser uma coisa muito diluida, muito incipiente. E o umbigo continua a ter de ser atraente. É irrelevante se há cada vez mais mulheres a entrar na universidade. O que a corrente cultural nos diz é: pratiquem mais no físico que na física, porque se safam melhor...
Se querem pop que não seja galinha têm de ir à Shakira (Don't bother) ou à irredutível Pink, as irredutíveis gaulesas que resistem à galinhagem pop. YOU GO, GIRLS.
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
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